Freguesia de Vermoil

Demokratía. Uma Utopia infindável

 Quando falamos da Revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal, não falamos de um dia ou de uma acção isolada. A Revolução que teve lugar nesta data, é consequência de um conjunto de acções que visaram o derrube do regime político que vigorava em Portugal desde 1926. Esta Revolução tem um carácter demasiado complexo para ser debatido neste artigo, por isso, torna-se essencial fazer uma pequena selecção dos acontecimentos e narrar apenas os três pontos que a mim me parecem fundamentais.

Como primeiro ponto, é importante antes de falar em Revolução, especificar que o Estado Novo ou a II República, foi o nome do regime político autoritário e corporativista que durante quarenta e um anos actuou em Portugal. Este regime, surge devido à necessidade de controlar a enorme incapacidade dos altos dirigentes militares em resolver a crise económica e a agitação política da I República. O Doutor António de Oliveira Salazar, inicialmente chamado para assumir a pasta das Finanças, cumpre as exigências impondo uma forte austeridade e rigoroso controlo de contas, conseguindo um saldo positivo nas finanças públicas logo no seu primeiro exercício económico (1928-29). Deste modo, em 1932 ascende ao cargo de Presidente do Conselho de Ministros, onde se mantém em funções até 1968, quando é substituído devido a doença por Marcello Caetano.

É muito usual comparar o Estado Novo ao regime Fascista Italiano ou ao Nacional Socialismo de Hitler na Alemanha, um grande erro, isto porque, o Estado Novo caracteriza-se por ser um regime autoritário, corporativo de inspiração integralista. Este apoiava-se na censura, na propaganda, nas organizações juvenis (Mocidade Portuguesa), nas organizações paramilitares (Legião Portuguesa), no culto do chefe e na ideologia católica.

O segundo ponto, é a preparação do levantamento militar de Abril. São três as reuniões clandestinas; a primeira em Bissau a 21 de Agosto de 1973, a segunda que dá origem ao Movimento das Forças Armadas, no Monte Sobral (Alcáçovas) a 9 de Setembro de 1973 e por fim, uma última a 24 de Março onde se decide o caminho da Revolução. É nestes encontros que o movimento delineia a estratégia de actuação? Num ponto de vista pessoal parece-me quase impossível que estas reuniões sejam o cérebro da Revolução, visto que, nestes encontros ainda não se sabia qual a receptividade dos soldados ao golpe militar. Todavia, era necessário conhecer-se os nomes dos oficiais dispostos a avançar, e criar as estruturas básicas da revolução e uma provável fuga se necessária fosse.

O terceiro e ultimo ponto e para mim o mais significativo no que toca à Revolução propriamente dita, são os acontecimentos revolucionários que se iniciam ainda no dia 24 de Abril, quando um grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de Carvalho, instala o comando do movimento golpista no quartel da Pontinha, em Lisboa. Ligado a esta fase inicial da Revolução, vão ficar para sempre as canções “E se depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho e “Grândola Vila Morena”, de José Afonso, que serviram como senha para o inicio das movimentações.

Entre as muitas forças e figuras associadas a este levantamento militar, coube o papel mais significativo à Escola Prática de Cavalaria de Santarém, comandada pelo Capitão Salgueiro Maia. Numa primeira fase, esta força ocupou o terreiro do Paço, seguindo depois para o Quartel do Carmo, onde se encontrava o Chefe do Governo Marcello Caetano, que se rendeu ao final do dia depois de ter entregue o poder ao General Spínola que não pertencia ao MFA.

Portugal é um país que possuí uma grande tradição de Revoluções pacíficas, isto acontece pelo facto de a Revolução surgir sempre num momento de crise, em que o poder se encontra com grande fragilidade. O Golpe de Estado de Abril, não é excepção disso, e a grande deterioração do poder, pode explicar como pode um Movimento tão incipiente derrubar um regime de Quarenta e Um anos em apenas um dia. Mas nem sempre o conceito “pacífico” é um aspecto positivo, daí podermos considerar que revolução e passividade são dois conceitos inimigos. A passividade do movimento pode explicar o motivo pelo qual, as suas figuras mais relevantes tenham passado a ser vistas como marginais, e durante o PREC e na História de Portugal, foram mesmo substituídas por outras, que de certo modo, não tem qualquer interferência no Movimento. Falo de, Mário Soares ou Álvaro Cunhal, o primeiro que vence as primeiras eleições livres de 25 de Abril de 1975, derrotando Álvaro Cunhal um homem de claras influências marxistas­leninistas, um regime implementado na União Soviética por Josef Stalin, que tem muitos seguidores pelo mundo, e foi responsável só na URSS pela morte de aproximadamente trinta e cinco milhões de Soviéticos.

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David Miguel dos Santos Mendes

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