Freguesia de Vermoil

O rio Arunca e os seus moinhos

O rio Arunca que nasce na freguesia de Albergaria dos Doze junto ao túnel do caminho-de-ferro, passando pelas freguesias de Santiago de Litém, S. Simão de Litém, Vermoil, Pombal e Almagreira no concelho de Pombal, prossegue a sua caminhada para o mar passando pelo concelho de Soure indo desaguar no Mondego, junto a Alfarelos.

Na freguesia de Vermoil existe ainda um afluente deste, o rio Cabrunca ou Ribeira da Venda Nova, que nascendo em Lagares já no concelho de Leiria, percorre as ribeiras da Igreja Velha, Meirinhas e Venda Nova, indo juntar-se ao rio Arunca no sítio chamado Juntar dos Rios, na zona da Chieira.

Formam estes dois rios no concelho de Pombal uma bacia hidrográfica com solos de primeira qualidade para a agricultura. No entanto, é uma zona de pequena propriedade em que os solos estão muito divididos, dificultando a sua maquinização com proveito para os proprietários pelo que estes estão abandonando os campos, encontrando-se cerca de dois terços dos terrenos a criar matos e silvas.

Outrora, havia uma rede hidráulica com açudes nos dois rios que alimentavam os vários moinhos (azenhas) de moer cereais e lagares de azeite existentes na região e ainda regava grande parte dos terrenos.

Atualmente, alguns pequenos agricultores ainda resistem com as culturas antigas, mas a luta vai ser perdida. Há ainda alguns jovens agricultores que alugando terras aqui ou acolá vão singrando com a mecanização dos terrenos e outros com a introdução de novas formas de cultivo, como são as estufas de produtos hortícolas. Todas estas terras eram regadas de pé, numa grande parte da sua extensão, sendo a restante regada a cabaço ou a balanço, pois havia água pelas valas que compunham a rede hidráulica que chegava a alimentar lagares junto a Pombal.

Os açudes que existiam na freguesia de Vermoil eram o açude da Quinta de S. Lourenço, o açude da Calçada, o açude do Lourenço e o açude das Ínsuas junto ao lugar de Moinho da Mata no rio Arunca.

O açude da Mata do Casal Galego que regava as terras dos Gameiros e Pedrosas na zona do

Sanguinhal, o açude da Fontaínha que regava as terras da família Lopes e dos Silvas no sítio da

Fontaínha, o açude do Criveiro que alimentava o lugar do Caranguejo, Lagar do Brando, indo até ao lagar do Monteiro já na freguesia de Pombal, havendo ainda o açude da Pateira, estes na Ribeira da Venda Nova.

Todos estes açudes deixaram de existir exceto o açude da Quinta de S. Lourenço, recentemente reconstruído e renovada a respetiva rede de rega por uma comissão de regantes com apoio da

Câmara, Hidráulica e outras entidades. Como já se disse parte destes terrenos estão incultos. Uma zona de grandes milharais de regadio está em sequeiro, mas no rio passam muitos milhões de metros cúbicos de água durante o ano que outrora alimentavam vários moinhos (azenhas) e lagares de azeite e ainda regavam grande parte destes terrenos.

Só na freguesia de Vermoil funcionavam o moinho da família Borges e família dos Antonões na

Quinta dos Claros; o moinho dos Piscos na zona de Entre Vinhas, o moinho da família Fonseca e o da família Morais junto ao açude da Calçada; o moinho da família Avelinos e lagar de azeite da Barreira, o lagar dos Mendes da Confraria e moinho do Serafim do Pinhete ainda junto ao lugar do Moinho da Mata; o moinho dos Sousas e o moinho do Branco do Pisão junto à Ínsua do Juntar dos Rios no sítio da Chieira.

O moinho da família Lourenço e o lagar das Valadas estão situados na zona do Pisão. Há ainda o lagar de azeite e a moagem do senhor Manuel da Silva Branco no lugar de Pinhete, junto à Estação de Vermoil, atualmente na posse da família Carvalho, estes na freguesia de Santiago de Litém. A moagem atualmente na posse da família Carvalho é a única a funcionar nesta região.

Na várzea da Ribeira da Venda Nova existem ainda o lagar das Meirinhas de Baixo, transformado em museu etnográfico, o lagar do Caranguejo e do Branco junto ao lugar da Venda Nova.

Todas estas relíquias do passado à exceção do moinho da família do senhor Manuel Francisco

Barreira no lugar do Moinho da Mata que foi recentemente remodelado, do lagar das Meirinhas de Baixo que foi recentemente transformado em Museu Etnográfico e da moagem do senhor Carvalho no lugar de Pinhete que continua a funcionar, estão em ruínas e alguns já desapareceram.

Havia também os moinhos de vento dos quais ainda existem restos de alguns como o moinho de Trás do Monte na Chã de Baixo (na foto), o moinho de vento no lugar do Abrolho e o moinho de vento no Outeiro da Ranha, no lugar do Sobral, este já desaparecido.

Numa época em que tanto se fala em conservar o património cultural é com tristeza que se vêem desaparecer tantos restos de cultura dum povo que trabalhando arduamente as suas courelas, tinha ainda localmente os meios para a transformação dos produtos do seu trabalho para a sua própria alimentação.

Laureano da Silva

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